Booster com uma válvula 6J6

a 5.3V

Na discussão sobre qual a melhor distorção, a distorção de transístores ou a de válvulas, é usual encontrarmos argumentos para todos os gostos. Do ponto de vista do DIY o principal impedimento na construção de projectos com válvulas está na utilização de voltagens perigosas e letais. As válvulas em geral necessitam de tensões elevadas para funcionarem e por isso a construção está vedada a construtores mais experientes. Para além disso as válvulas são caras, ineficientes e têm um tempo de vida limitado, ao contrário dos seus descendentes de silício, resistentes, eficientes e duradouros. Os pré-amplificadores e amplificadores de guitarra a válvulas são caros, mais caros que os correspondentes primos solid-state, e por isso o engenho da comunidade DIY mundial arranjou maneira de se construir um booster com uma válvula que funciona a tensões baixas e não letais.

É disso exemplo o projecto intitulado de valvecaster: usa uma válvula 12AU7 (dois triodos) especificamente projectada para áudio. Nesse projecto usa-se uma tensão de 9V para alimentar a 12AU7.

Este texto descreve a construção de um pré-amplificador semelhante mas usando um válvula 6J6 que também contém dois triodos, à semelhança da 12AU7, mas a 6J6 tem dois triodos com os cátodos comuns (numa configuração twin). A 6J6 não é em geral usada em amplificadores de áudio numa configuração de cátodo comum, é mais frequente encontra-la num divisor de fase (amplificador diferencial) para o estágio de amplificação em push-pull.

Um triodo típico tem os seguintes terminais.

As válvulas têm um contentor de vidro (fragilidade) e necessitam de ser aquecidas (ineficiência) para atingirem o seu ponto de funcionamento, os electrões precisam de ser aquecidos para viajarem.

A 6J6 é uma válvula barata e por 3eurs temos toda a distorção de uma válvula num pacote de 7 pinos. Vamos usar um transformador de telemóvel que nos fornece 5.3V para alimentar a o heater da válvula e alimentar o circuito. O heater necessita de pelo menos 6.3V (vamos usar menos) e de uma corrente de 0.45A disponível num qualquer carregador de telemóvel. A datasheet para a 6J6 é esta: http://www.r-type.org/pdfs/6j6-1.pdf

Material

Material opcional – BMP tone control

(ver justificação mais à frente no texto: http://www.muzique.com/lab/tone3.htm)

Circuito

O circuito é este:

1º triodo: plate (pino 1), gate (pino 6), 2º triode: plate (pino 2), gate (pino 5). O cátodo comum é o pino 7 e o heater (filamento) correspondem aos pinos 3 e 4.

Montagem

A peça fundamental para este circuito é esta válvula.

Tinha uma caixa Hammond já furada sem utilização na qual tinha desenhado um motivo de trepadeiras com um berbequim manual.

Não esquecer o suporte de 7 pinos para a 6J6, este foi usado para a montagem na breadboard.

O transformador foi reaproveitado dos muitos que por aqui em casa vão sobrando, não se gasta dinheiro numa coisa destas!.

Mas primeiro os testes. O estudo do circuito foi realizado numa pequena breadboard, a desorganização dos fios é reveladora!

A figura seguinte mostra a tensão à saída para diferentes valores de amplitude do sinal de entrada e mostra bem o tipo de curvas do sinal de saída que nos dão a “boa” distorção. Desta vez não coloquei as diferentes componentes harmónicas para cada caso. É fácil descobrir as dominantes em cada caso.

Optei por montar tudo no suporte da válvula, não é das montagens mais bonitas mas funciona. O esquema das ligações é este.

Depois de testado com o amplificador achei que um tone control seria uma coisa interessante de adicionar ao circuito, e já tinha os furos feitos para adicionar mais controlos.

A escola recaiu sobre o tone control do Big Muff PI (http://www.muzique.com/lab/tone3.htm) cuja montagem foi efectuada nos pinos do potenciómetro de 100k linear. O potenciómetro log de volume corresponde ao rectângulo verde e o tone control ao cilindro prateado junto ao condensador verde de 4000pF e a um outro, velhíssimo que para aqui tinha, de 0.01uF.

Inicialmente tinha uma resistência de 10k na plate do segundo triodo mas a adição do tone control atenua muito o sinal de saída, por isso se se pretender incluir o controlo de tonalidade talvez seja mais razoável substituir essa resistência de carga por outra de 22k ou mesmo de 100k.

Melhor ainda será usar duas 6J6 com o tone control entre os dois estágios, futuro projecto. Alguém do Forumusica avança com a ideia?

Notas finais e modificações ao circuito

Do ponto de vista sónico e com o objectivo de construir um booster com um som de válvula o tone control é perfeitamente dispensável, mas como tudo isto é DIY podemos testar as várias hipóteses com um acender do ferro de soldar. Mas confesso que a versão que mais gosto é a simples, sem tone control e com 10k na plate do segundo triodo.

O condensador C2 controla o cut-off nas frequências mais baixas (à volta de 7Hz) diminuindo o seu valor de é possível retirar mais alguns baixos, para 80Hz C2 deve ter o valor de 2uF (C2=1/(2*3.14*1000*80)).

É fácil sentir o encanto de ver uma válvula a funcionar.

O booster funciona muitíssimo bem para espevitar qualquer amplificador solid-state com pouco carácter.

Palavras chave/keywords: 6j6, guitarra, diy, booster

Criado/Created: 21-08-2018 [10:43]

Última actualização/Last updated: 21-08-2018 [11:01]


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