O Sr. Tompkins no País das Maravilhas
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| Capa do "O Sr. Tompkins no País das Maravilhas", G. Gamow, Biblioteca Cosmos |
Chegou à grande sala de conferências da universidade depois da palestra ter principiado. A sala estava repleta de estudantes, jovens na sua maioria, ouvindo com grande atenção o homem alto, de barbas brancas, que estava junto ao quadro negro. Quando ele entrou, o professor escrevia no quadro uma fórmula matemática de horrível aspecto, qualquer coisa como isto
Os conhecimentos matemáticos do Sr. Tompkins resumiam-se nas quatro operações fundamentais da aritmética (das quais só as duas primeiras eram precisas no trabalho do banco) e o significado desta engraçada fórmula foi, para ele, um mistério. Esperava vagamente que o professor, depois de ter coberto o quadro de fórmulas ainda mais complicadas do que a primeira, começasse então a falar de problemas um pouco mais compreensíveis e fizesse uma descrição do universo em que, provavelmente, pensava. Mas, nada disso aconteceu, e, à parte a afirmação, muitas vezes repetida, de que o espaço em que vivemos é curvo, finito e, além disso, em expansão, o Sr. Tompkins nada aprendeu que tivesse, para si, algum sentido. Não porque a afirmação tantas vezes repetida fosse muito mais clara do que o resto da conferência, mas ela causou uma profunda impressão no seu espírito. De volta a casa, tentou imaginar o espaço curvo, mas não pode ir mais longe do que pensar nele como uma mola da frente de um velho Ford... Não deveria ter ido a esta conferência; a alta Ciência não era para ele. Neste estado de depressão mental despiu-se, deitou-se e meteu a cabeça debaixo da roupa.
Ref: O Sr. Tompkins no País das Maravilhas, G. Gamow, Biblioteca Cosmos
Palavras chave: Tompkins, Gamow, Biblioteca Cosmos, Relatividade Geral, EinsteinÚltima actualização/Last updated: 2012-02-26 [15:48]
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Os conhecimentos matemáticos do Sr. Tompkins resumiam-se nas quatro
operações fundamentais da aritmética (das quais só as duas primeiras eram
precisas no trabalho do banco) e o significado desta engraçada fórmula foi, para
ele, um mistério. Esperava vagamente que o professor, depois de ter coberto o
quadro de fórmulas ainda mais complicadas do que a primeira, começasse então a
falar de problemas um pouco mais compreensíveis e fizesse uma descrição do
universo em que, provavelmente, pensava.
Mas, nada disso aconteceu, e, à parte a afirmação, muitas vezes repetida, de que
o espaço em que vivemos é curvo, finito e, além disso, em expansão, o
Sr. Tompkins nada aprendeu que tivesse, para si, algum sentido. Não porque a
afirmação tantas vezes repetida fosse muito mais clara do que o resto da
conferência, mas ela causou uma profunda impressão no seu espírito. De volta a
casa, tentou imaginar o espaço curvo, mas não pode ir mais longe do que pensar
nele como uma mola da frente de um velho Ford... Não deveria ter ido a esta
conferência; a alta Ciência não era para ele. Neste estado de depressão mental
despiu-se, deitou-se e meteu a cabeça debaixo da roupa.